ANTRA e Ministério das Mulheres lançam cartilha inédita sobre justiça climática, gênero e proteção de travestis e mulheres trans

Direitos e Política, Justiça, Saúde

A Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) e o Ministério das Mulheres lançaram a cartilha Justiça Climática, Diversidade e Justiça de Gênero: Proteção e Pertencimento – Travestis e Mulheres Trans em Tempos de Mudanças Climáticas, resultado de um acordo de cooperação técnica inédito firmado entre as duas instituições. A publicação conta ainda com o apoio de agências das Nações Unidas, entre elas a ONU Mulheres e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), fortalecendo o caráter internacional e interseccional da iniciativa.

O material propõe uma abordagem inovadora ao evidenciar como a crise climática aprofunda desigualdades históricas e atinge de forma desproporcional travestis e mulheres trans, especialmente aquelas em contextos de pobreza, exclusão territorial e ausência de políticas públicas estruturadas. A cartilha oferece subsídios técnicos e políticos para a formulação de ações de adaptação e resposta climática com perspectiva de gênero e diversidade.

O lançamento ocorre na Visibilidade Trans 2025, e resgata o contexto marcado pela tragédia climática que atingiu o Rio Grande do Sul, onde enchentes e eventos extremos evidenciaram a vulnerabilidade de grupos socialmente marginalizados. Mulheres trans e travestis, muitas vezes sem acesso a moradia segura, renda estável e redes de proteção, enfrentaram impactos ainda mais severos, reforçando a urgência de políticas que integrem direitos humanos e justiça climática.

Para a presidenta da ANTRA, Bruna Benevides, a cartilha representa um avanço estratégico na incidência política do movimento trans. “Este é um marco histórico. Pela primeira vez, construímos de forma conjunta com o Estado um instrumento que reconhece que a crise climática também é uma questão de gênero e de direitos humanos. Travestis e mulheres trans não podem continuar sendo invisibilizadas nas respostas às emergências climáticas”, destacou.

A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, reforçou o compromisso do governo com a proteção da vida em sua diversidade. “As mudanças climáticas têm impactos concretos sobre a vida das mulheres, sobretudo daquelas que já enfrentam múltiplas desigualdades. O Ministério das Mulheres reafirma seu compromisso com a vida de todas as mulheres, incluindo travestis e mulheres trans, garantindo que nenhuma política climática seja construída sem considerar essas realidades”, afirmou.

A cartilha integra uma estratégia mais ampla de incorporação da justiça de gênero nas políticas ambientais e climáticas, defendendo a produção de dados, o fortalecimento de redes de proteção e a participação ativa de travestis e mulheres trans nos espaços de decisão.

A ANTRA reafirma que enfrentar as emergências climáticas exige mais do que respostas pontuais: exige compromisso institucional, políticas estruturantes e o reconhecimento de que não há justiça climática possível sem justiça social, de gênero e de raça.

Baixe a Cartilha aqui:

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