A LGBTIfobia saiu do armário e diariamente assina nosso atestado de óbito.

Direitos e Política, Violência
A violência LGBTIfóbica no Brasil em uma semana (27/05 a 03/06/2019):
 
– 5 Travestis Assassinadas (tiros, pauladas, espancamento, corpo incendiado)
 
– Lésbica encontrada morta com sinais de espancamento e violência sexual
 
– Homem gay encontrado morto em matagal com sinais de espancamento
 
– Homem trans vitima de estupro corretivo
 
– Mulher trans internada compulsoriamente pela família
 
– Homem trans se suicida (assassinato social).
 
– Diversos ataques homofóbicos
 
– Psicólogos a favor da ”Cura-gay” lançam candidatura no CFP
 
Estes são apenas os casos que chegam através das redes sociais. Estimamos que sejam muito mais diante pelo agravamento da violência cotidiana que identificamos nos relatos e casos que conseguem ser trazidos ao público, e pela inexistência de dados e estatísticas oficiais.
 
O serviço Disque 100, do governo federal, registrou 4,6 denúncias por dia contra a comunidade LGBT durante o ano de 2018.
 
Há dificuldade de levantar dados de violência LGBTIfobica nos atendimentos de saúde, assim como nas delegacias e IML que muitas vezes não identificam a orientação sexual ou identidade de gênero das vitimas – apesar de haver campo para tal, assim como não constam os motivos presumidos, visto que não há um qualificador ou a tipificação de crimes específicos contra a nossa população. E os dados acabam se perdendo na invisibilidade quase intencional das instituições.
 
Quando falamos em suicídio, há um total silenciamento ou apagamento dos casos e suas motivações, e em muitos casos familiares tentam impedir a veiculação do suicido.
 
Criminalizar uma violência específica é tirar da invisibilidade, reconhecer a existência e discutir formar de enfrentar esta feriada aberta que aumenta a cada ano. A partir da criminalização podemos pensar em levantamento de dados, campanhas focais, mapeamento dos índices e marcadores da violência e combater a impunidade. Além de pensar ações educativas e preventivas para as questões de LGBTIfobia familiar, institucional e social.
 
Vivemos uma luta constante contra a violência LGBTIfóbica, onde matar é o ápice da desigualdade (Butler) e neste momento em que estamos o brasileiro, incentivado por seus líderes, abandonou ‘máscara’ de cordial e assumiu sua intolerância.
 
A LGBTIfobia saiu do armário e diariamente assina nosso atestado de óbito.
 
Bruna Benevides
Secretária de Articulação Politica da ANTRA
#ÉcrimeSim
#criminalizastf (1)

ANTRA move ação contra Deputado por ameaças Transfóbicas.

Direitos e Política, Violência

A Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), cumprindo seu dever estatutário de defesa dos direitos da população de Travestis e transexuais brasileira, move ação contra o Deputado Estadual Douglas Garcia (PSL/SP), devido suas declarações transfóbicas, incitação a violência contra a população Trans e por ferir o direito a individualidade da nossa população ao dizer que tiraria a tapas, qualquer travesti ou transexual de dentro do banheiro.

A tentativa proibição de utilização de banheiro feminino por uma travesti ou transexual feminina configura violação à proteção da dignidade humana e ao direito de liberdade sexual e de gênero, prejuízos que se materializam contra indivíduos e grupos percebidos e subjugados como minorias altamente estigmatizadas em nossa sociedade.

Neste campo, pode-­se relacionar o direito à utilização de banheiros com o conteúdo essencial do direito de igualdade, com a proibição de discriminação direta e indireta por motivo de identidade de gênero, sem esquecer da intersecção entre tal critério proibido de discriminação e a idade, dada a intensidade dos prejuízos para crianças e adolescentes transexuais.

Há quem diga que a utilização de banheiros por pessoas trans femininas coloque em risco a segurança das demais usuárias. Esse medo, à primeira vista concedível, não encontra substrato na realidade, nem é capaz de justificar tratamento restritivo. Isso porque não há qualquer dado concreto que ampare o temor de que pessoas trans sejam ameaças ou cometam violência contra usuárias de banheiros femininos, o que faz juridicamente ilegítima tal restrição, pois encontram-se fundadas em meras suposições preconceituosas, desprovidas de qualquer suporte fático concreto.

Ao contrário, o que se relata são episódios de violência moral e física contra travestis e transexuais femininas quando são obrigadas a usar o banheiro masculino.

Especialmente quando um deputado ousar ameaçar toda uma população na plenária de uma casa legislativa, isso é um dano irreparável, visto que incita a violência e o ódio contra a população trans, quem vem sendo cotidianamente violentada e tenta sobreviver no país que mais mata pessoas trans do mundo. E é exatamente por isso que não iremos admitir este tipo de discurso. Repudiamos este ódio disfarçado de boa vontade e cuidado, e rechaçamos que este discurso esteja legitimado por um representante do estado, que se esconde sob o manto de imunidade parlamentar para destilar ódio, mesmo tendo sido eleito para lutar para defender e representar o povo.

Essa é uma discriminação é direta porque é decorrente da intenção explícita de barrar a população trans em instalações abertas ao público que possibilitam o exercício adequado do direito fundamental à saúde. Nesse caso, é precisamente a condição transexual que motiva a restrição, de forma consciente e proposital, o que é fácil de constatar e contrastar com o direito de igualdade e seu mandamento antidiscriminatório.

Quanto à privacidade como fundamento para proibição de utilização, pondera-se sobre a parcialidade e insuficiência do argumento, na medida em que transexuais obrigadas a utilizar um banheiro que não corresponde à sua identidade de gênero também tem sua privacidade violada.

A travestilidade e a transexualidade, não importam se abordadas biomédica ou socialmente, são indissociáveis do modo de ser e de estar no mundo das pessoas transexuais. Ela não é atributo ou característica secundária ou acessória, possível de desagregar da existência humana de tais pessoas. Desse modo, desconsiderar ou excluir pessoas de qualquer espaço, em virtude de tal condição identitária significa ferir o âmago da proteção constitucional da dignidade humana.

É o que acontece quando se postula simplesmente ignorar a transexualidade num espaço de vida e convívio tão significativo e vital como o acesso a banheiros abertos ao público ou mesmo no esporte ignorando sua condição de identidade de gênero, feminina.

Em suma, no tocante à proteção constitucional da dignidade humana e ao direito fundamental à auto-­determinação sexual, não reconhecer o direito fundamental à utilização de banheiro feminino por uma travesti ou transexual feminina implica rejeitar a possibilidade de ser e de existir como se é, afetando algo essencial para o modo único, irrepetível e original da pessoa; inviabilizam-­se também as condições sem as quais a auto-­determinação e a liberdade sexuais e de gênero, simplesmente deixam de ser possíveis.

”Não é possível que uma pessoa seja tratada socialmente como se pertencesse a sexo diverso do qual se identifica e se apresenta publicamente, pois a identidade sexual e de gênero encontra proteção aos direitos da personalidade e na dignidade da pessoa humana, previstos na Constituição Federal. O deputado em questão feriu toda a coletividade de travestis e mulheres transexuais e proferiu verdadeiro discurso de ódio. A ANTRA requer na ação uma retratação formal em jornal de grande circulação, suas redes sociais institucionais e o pagamento de indenização por danos morais coletivos a ser utilizado para promoção de politicas publicas de combate a transfobia no estado de São Paulo.” (Dra Maria Eduarda Aguiar – Advogada ANTRA)

É Triste ter que mover uma ação contra um Deputado eleito para defender o povo, mas não podemos ficar caladas quando este promove ódio, incita a violência e perpetua transfobia institucional através do seu discurso violento, dentro da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP) e tendo repercutido nacionalmente de forma negativa e incentivando mais violência contra nossa população. O que demonstra que o estado está tomado por atitudes como esta, que legitimam a violência contra uma população inteira, que é marginalizada e perseguida pelo próprio estado na forma de seus representantes.

Ação ANTRA

**Texto Contém trechos do Artigo: Direitos humanos, transexualidade e “direito dos banheiros” – Roger Raupp Rios e Alice Hertzog

99% da população LGBTI não se sente segura no Brasil

Direitos e Política, Violência

Pesquisa inédita da ANTRA lançada por ocasião do Dia 17 de Maio – Dia Internacional de Combate á LGBTIfobia aponta que 99% da população de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e intersexos (LGBTI), não se sente segura no Brasil.

Realizamos no período de 13 a 17/05/2019 uma pesquisa em suas redes sociais e parceiras, onde perguntamos se as pessoas LGBTI se sentiam seguras no Brasil. Os dados serão utilizados para fomentar a discussão e a ampliação de uma pesquisa mais aprofundada sobre o tema.

Os resultados são assustadores e baseamos na interação espontânea com as publicações, onde as pessoas respondiam SIM ou NÃO. Escolhemos como local para essa pesquisa, as redes sociais Facebook e o Instagram, pois através delas é possível nos informar e nos expressar.

– 99% das respostas disseram que não se sentiam seguras.

– Tivemos alcance de cerca de 10mil engajamentos no post Facebook

– Dentre as 1350 pessoas que interagiram em nossas redes, apenas 4 pessoas responderam que se sentiam seguras

Respostas sim:
– 2 homens gays cisgeneros, brancos e de classe media com performance heterossexual;
– 1 homem gay cisgenero, negro, heteronormativo, com doutorado, e que inclusive fez questão de reconhecer seus privilégios que o distanciam da LGBTIfobia; e
– 1 travesti, branca, com passabilidade cisgenera e de classe alta.

– Do total, 40% eram do gênero feminino.

*Do total de gênero feminino, 30% eram pessoas trans

**Não foi possível aprofundar questões como classe e raça/etinia.

Hoje no país, existe de forma acentuada uma naturalização da violência, do discurso de ódio e a incitação contra pessoas LGBTIs e devemos lembrar que os números oficiais da amplitude dessa violência não reflete ainda a totalidade do problema, que vem tornando o Brasil, uma nação hostil a nossa população.

Seguramente este levantamento reflete a forma como a população LGBTI se sente no Brasil e dialoga diretamente com outros dados, índices e pesquisas feitas com esse contexto que traz a violencia com o maior desafio a ser enfrentado, e que o estado brasileiro tem se omitido de legislar sobre a LGBTIfobia estrutural.

Seus resultados podem ser reproduzidos total ou parcialmente, desde que referenciada a fonte.

*17 de maio, Dia mundial de combate a LGBTIfobia*

_#ÉCRIMESIM_

99% DOS LGBTI NÃO SE SENTEM SEGUROS NO BRASIL (1)

Vídeo ”Meu Primeiro Sutiã” da ANTRA vai a CANNES

Cultura, Eventos

Cannes

 

Baseado no clássico comercial dos anos 80, o filme chama atenção para o acolhimento a pessoas trans no seio familiar, um dos primeiros espaços de transfobia enfrentado

A Madre Mia Filmes produziu um filme para a ANTRA, Inspirado na clássica propaganda “Meu Primeiro Sutiã”, de 1987, de Washington Olivetto, cuja protagonista é uma mulher trans. O filme, baseado em uma história real, conta o caso de uma criança trans, que aos 10 anos conseguiu mudar o seu registro e ser legalmente chamada de Ludmila Galvan. Aos 12, ganhou seu primeiro sutiã.

A mãe Daniela Galvan aparece ao fim dando um depoimento: “Sempre foi uma menina por dentro. Uma menina, mas por fora um menino. Mas ela é uma mulher (…). Seja o que quiserem ser e sejam livres. Não se escondam. Se gosta de ser algo, seja”, declara.

Fizemos a inscrição do filme em diversas categorias do Festival de Cannes. Porque objetivo com esse trabalho é abrir os olhos daqueles que não conseguem enxergar os desafios, preconceito, sofrimento, superação que são cotidianos na vida das pessoas trans e o Festival dá uma projeção mundial, temos a chance de amplificar numa escala planetária a importância que a causa merece.

A expectativa é muito grande. O filme, pela causa que aborda, tem muita chance de ser premiado e foi elaborado conduzido com sensibilidade, para emocionar, para promover um espaço de entendimento e debate sobre as diferenças que são inerentes ao ser humano.

A IDEIA

O filme foi feito para a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) e dirigido poe Rafael Damy. ”Nós fomos procurados pela ANTRA para utilizar a publicidade de uma forma que trouxesse a empatia do público para a causa porque existe uma onda de violência muito grande contra pessoas transexuais. Então, tivemos um insight, nada melhor do que nos inspirarmos em um case publicitário conhecido mundialmente como é o caso de “O primeiro sutiã a gente nunca esquece”, porque é filme premiado internacionalmente, muito renomado no Brasil e simplesmente substituirmos a protagonista. Conversamos com o Washington Oliveto em Londres, contamos nossa ideia de fazer uma homenagem ao filme original dele, que inclusive, ganhou Prêmio de Melhor Film em Cannes, substituindo a protagonista por uma adolescente trans. Ele adorou a ideia e sugeriu procurarmos atores argentinos pela força de atuação que tem. Fomos além, encontramos na pesquisa o caso real da Ludmila, uma adolescente trans que é a nossa protagonista. O pai dela no filme é um ator. A receptividade do filme tem sido muito grande, publicações saíram em importantes sites de publicidade nacionais e internacionais, assim como de assuntos gerais da sociedade. Estamos muito felizes porque nossa mensagem de combate ao preconceito está chegando em milhares de pessoas no Brasil e exterior. Com o filme espero contribuir um pouco para acabar com o preconceito e esse já terá sido seu maior legado.”

Ja assistiu?

Acesse: Meu Primeiro Sutiã – ANTRA

 

 

O Mito da Disforia de gênero de Início Rápido e de Contágio Social mencionada por Alexandre Saadeh

Direitos e Política, Saúde

Réplica a Alexandre Saadeh a respeito de “disforia de gênero de início rápido” e “contágio social”

A ANTRA vem novamente a público, juntamente com as instituições que assinam este documento, fornecer uma réplica às respostas de Alexandre Saadeh à nossa nota de repúdio publicada em 7 de abril de 2019.

Se você está comemorando a decisão do STF sobre a (re)proibição da cura gay você deve igualmente se inteirar sobre como a mídia está divulgando estudos sobre “disforia de gênero de início rápido” e “contágio social”.

Devido a necessidade de apresentarmos evidências cientificas que fossem capazes de enfrentar a questão, construímos um documento denso, que faz uma analise aprofundada sobre o tema que vem sendo discutido, a fim de apresentar argumentos capazes de demonstrar os equívocos que foram defendidos pelo Dr. Alexandre Saadeh, Coordenador do Ambulatório de Transtorno de Identidade de Gênero e Orientação Sexual (AMTIGOS), e a fim de qualificar mais pessoas Trans e Cis-Aliadas a terem argumentos para um posicionamento eficaz contra essa visão tendenciosa que vem sendo apresentada e defendida publicamente por veículos de comunicação.

Leia, comente.

Para ler, baixe a nota completa aqui:

NOTA PUBLICA DR. Sadeeh – Replica

Crianças Trans ANTRA

 

ANTRA peticiona Amicus Curae na ADI 5668 no STF

Direitos e Política
A ANTRA deu entrada como Amicus Curae na ADI 5668 no STF, para que escolas de todo o país sejam obrigadas a coibir bullying LGBTIfóbico.
 
A fim de dar continuidade a efetiva participação da ANTRA nas decisões mais importantes que vem sendo julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, foi protocolada a petição dando entrada como Amicus Curae na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 5668), através do DDP/RJ, sendo representadas pela pessoa da Dra Maria Eduarda Aguiar.
 
A ANTRA – Associação Nacional de Travestis e Transexuais é uma entidade que atua na defesa da população trans frente as demandas, construção de políticas públicas e luta pelo acesso a direitos. Temos uma profunda preocupação em estar acompanhando a implementação de todas as ações voltadas a população de travestis, mulheres transexuais e homens trans, possuindo legitimidade estatutária para tal fim.
 
Em 2017, o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) ajuizou Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 5668), na qual pede que o Supremo Tribunal Federal (STF) dê interpretação conforme a Constituição Federal ao Plano Nacional de Educação (aprovado pela Lei 13.005/2014) para reconhecer o dever constitucional das escolas públicas e particulares de prevenir e coibir o bullying homofóbico(sic), consistente em discriminações por gênero, identidade de gênero e orientação sexual, bem como de respeitar a identidade de crianças e adolescentes LGBT no ambiente escolar. A lei tem como objetivo dar cumprimento ao artigo 214 da Constituição Federal.
 
“É preciso que a sociedade em geral e as escolas em particular respeitem essas crianças e adolescentes que não se enquadram na heterossexualidade cisgênera. Ou seja, as crianças e adolescentes que não sentem atração por pessoas do gênero oposto (‘não-heterossexuais’) e que se identificam com o gênero socialmente atribuído a si em razão de sua genitália (‘não-cisgeneridade’). Aqui entra o papel do professor”, afirma o PSOL na ADI, acrescentando que seu papel é, no mínimo, coibir a prática do bullying contra os alunos em geral, com especial atenção a alunos integrantes a minorias e grupos vulneráveis.
 
OUTRAS AÇÕES
 
Já vimos participando ativamente junto a Corte Suprema das ultimas decisões favoráveis a população de Lésbicas, gays, bissexuais, travestis, mulheres transexuais, homens trans e Interserxos (LGBTI), como foi o caso do julgamento da ADI 4275 (Sobre o direito da retificação registral – nome e gênero – de pessoas trans sem necessidade de cirurgias) e a mais recente, ADO 26 e MI 4733 (Criminalização da LGBTIfobia), entre outras. Há ainda o julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 845779 – sobre o direito de transexuais serem tratados socialmente de forma condizente com sua identidade de gênero, e na ADPF 527 (Prevê que Travestis e Mulheres Transexuais possam escolher a unidade onde cumprirão pena – masculina ou feminina).
 
O AMICUS CURAE – CONJUR
 
Muitas vezes há o total desconhecimento pelo julgador da matéria em exame, o que justifica o ingresso de entidades como amici curiae, para esclarecimento dos fatos e do Direito, com a finalidade de ver as causas apreciadas e julgadas corretamente pelo juízo competente. Enfim, auxiliar o magistrado no julgamento da lide, onde se destaca o interesse público.
 
Desta forma, o orgão ou entidade especializada, com representatividade adequada que pretenda atuar como amicus curiae deve em sua petição demonstrar a capacidade de auxiliar no feito. Ou seja, deve, de plano, ressaltar em que aspecto sua participação poderá contribuir.
 
Fica claro que a intenção não é defender interesses subjetivos próprios dos postulantes, mas para fornecer subsídios ao Juízo. Trata-se de uma intervenção altruísta, no próprio exercício da cidadania.
 
Escrito por Bruna Benevides
Secretária de Articulação Política da ANTRA
 
Estátua da Justiça. Foto: Gil Ferreira/SCO/STF (16/09/2010)

Estátua da Justiça. Foto: Gil Ferreira/SCO/STF 

 

Nota da ANTRA em Apoio a Indianare Siqueira

Direitos e Política
Indianare Siqueira

Reprodução

NOTA PÚBLICA DA ANTRA de apoio a Indianare Siqueira e repúdio a sua expulsão do Partido Socialista e Liberdade (PSOL).

A Associação Nacional de Travestis e Transexuais é uma rede nacional que articula em todo o Brasil mais de 120 instituições, que desenvolvem ações para a população de Travestis e mulheres Transexuais. A missão da ANTRA é: “Identificar, Mobilizar e Formar Travestis e Transexuais das cinco regiões do país para construção de um quadro político nacional a fim de representar esse segmento na busca de cidadania e igualdade de direitos”.

Vimos nos solidarizar com uma das fundadoras do Movimento Nacional de Travestis e Transexuais, Indianare Siqueira, que enfrenta um processo violento de exposição, difamação e perseguição, por parte de pessoas que escolheram o corpo de uma travesti para penalizar pelos problemas que a cisgeneridade tem jogado sobre as costas da população trans. Culpabilizando e criminalizando uma de nós, e por consequência, todas nós.

Recebemos com indignação a notícia do indeferimento/impedimento da candidatura de Indianare Siqueira para deputada em 2018, mesmo tendo tido êxito ao alcançar o título de vereadora suplente em 2016. E temos visto com olhos cuidadosos e preocupadas a tentativa de desmobilização e pouco investimento nas candidaturas trans pelos diversos partidos. Tivemos três trans eleitas no pleito de 2018 e quase que exclusivamente com os esforços individuais de uma base que já vinham construindo a despeito da luta partidária. E é preocupante observar o descaso no baixo investimento e incentivos nestas campanhas.

É inegável o papel que Indianare representa na construção do movimento social e como ferrenha batalhadora pelo direito das prostitutas e, especialmente daquelas pessoas que se encontram em extrema vulnerabilidade. Os projetos que implementou, ações e conquistas das quais faz parte não podem estar expostas a sofrer ainda mais precarização, visto que o apoio a estes mesmos projetos vem sendo limitado cada vez mais.

Com esta decisão, o partido nos leva a crer na dificuldade de enxergar os processos violentos que as travestis e mulheres transexuais estão submetidas para chegar e/ou se manter em qualquer espaço de poder. Tudo isso, exatamente no momento em que mais se precisa de apoio e incentivo a representatividade de pessoas trans na política. Sinalizando as demais pessoas trans a necessidade de estarem atentas a estes métodos e a forma com que a política vem sendo tratada no que diz respeito ao apoio – ou a falta dele, às nossas candidaturas, e para que se posicionem sobre possíveis arbitrariedades.

Ao que pode ser constatado, Indianare Alves Siqueira é ficha limpa e preenchia todos os requisitos para concorrer às eleições. E para nós, fica nítido que esta decisão, reflete a incapacidade de tratar a questão sob um viés não moralista, fechando inclusive a possibilidade de diálogo sobre o assunto para uma possível revisão da mesma.

É inaceitável que uma ação jurídica, cível, sobre dívidas, seja usada como justificativa para impugnar uma candidatura política ou mesmo para uma expulsão partidária. O que acaba afetando a progressão da população trans nas esferas partidárias, por não se sentirem seguras ou apoiadas. E isso é gravíssimo, ao passo em que estamos vendo uma demonstração do poder punitivista adotado sistematicamente pela direita, sendo usado de forma violenta contra uma de nós – contra todas nós. Matando politicamente uma das maiores lideranças deste país e simbolicamente tudo aquilo que ela representa e tem construído até aqui.

O partido admite para si um papel delicado, que fere as relações entre as pessoas trans e os partidos, ao optar pela expulsão exatamente no momento em que as candidaturas dessa população crescem significativamente. Em 2018, de acordo com o levantamento de ANTRA, tivemos um aumento de mais de 11 vezes no número de candidaturas Trans em relação a 2014 (www.antrabrasil.org).

Desta forma, mesmo tendo parceria, simpatia e reconhecendo que o partido agrega diversas pessoas Trans em seus quadros, tendo lançado candidatas de expressão no último pleito e que hoje temos pessoas trans eleitas, solicitamos para que se façam reflexões aprofundadas sobre o ocorrido, a fim de que o mesmo demonstre alguma capacidade de aprender com estes episódios, e para que não voltem a se repetir.

O nosso papel de formação política continua ativo. Temos orientando as demais pessoas que pretendem se lançar candidatas, a estarem atentas a estes métodos e a forma com que a política vem sendo tratada no que diz respeito a falta de apoio integral as candidaturas Trans. Visto que a constante falta de apoio financeiro, de capital político, e de interesses em investir mais especificamente em outras lideranças, poderiam ser usados para trazer reflexões importantes sobre este e outros episódios, inclusive quando ocuparem outros partidos.

Diante do exposto, a ANTRA externa publicamente seu apoio a Indianare Siqueira. E reafirmamos nosso total comprometimento com a população de Travestis e Transexuais, a quem defendemos em todos os cantos do Brasil.

Salvador, 08 de abril de 2019.

Keila Simpson
Presidenta da ANTRA

NOTA PÚBLICA de Repúdio a entrevista do DR. Alexandre Saadeh, ao Portal Universa/UOL

Direitos e Política, Saúde

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NOTA PÚBLICA da ANTRA a respeito da entrevista do DR. Alexandre Saadeh, ao Portal Universa/UOL.

As instituições que assinam conjuntamente esta nota, vêm a público se posicionar sobre a matéria em lide, visto que a mesma faz uma série de apontamentos que consideramos nocivos e tendenciosos frente ao avanço das discussões sobre da autonomia das pessoas trans e a própria despatologização das identidades trans anunciada em junho de 2018 pela OMS e que vem sendo encampada pelo Conselho Federal de Psicologia, que publicou a Nota Técnica 01/2018, tratando especificamente como abordar o assunto.

Na entrevista, Saadeh alega existir “uma maior adesão às variações de gênero como fenômeno midiático” e que pessoas “confusas” e “instáveis” seriam, de alguma forma, “atraídas” ao que se supõe ser um “novo paradigma” decorrente de um “fenômeno mundial”. Como se a transgeneridade fosse algo passível de ser contagioso ou transmitido de uma pessoa para outra.

Tais informações e representações a respeito das identidades trans não se baseiam em nenhuma evidência científica consolidadas e estão completamente equivocadas. O que nos faz ter um olhar atento sob suas declarações, visto que o mesmo é coordenador do único serviço especializado no atendimento de crianças e adolescentes trans.

Ele alega que os jovens e crianças seriam de alguma forma “sugestionáveis” a se tornarem transgêneros (quando de alguma outra forma não seriam) em decorrência de alguma espécie de moda ou contágio social. Tais alegações acabam não apenas sendo imprecisas e cientificamente infundadas, mas também coniventes com a reafirmação de estigmas e incompreensões que precisam ser urgentemente superadas, tal como a noção, mesmo que vaga, de que as identidades trans constituem um perigo social a ser evitado. Afirma ainda que pessoas estariam transicionando para se tornarem celebridades midiáticas, ignorando todo contexto de violência que uma pessoa trans, ao externar publicamente sua condição, passa a estar exposta.

Inverte a lógica da luta por visibilidade, sugerindo que a representatividade trans nos diversos espaços sociais estaria “incentivando” que pessoas cisgêneras passassem a se identificar como trans – bem semelhante ao discurso fundamentalista que designa e sustenta a “ideologia de gênero” como algo maligno. Saadeh acaba abrindo mão de observar as singularidades de cada pessoa e que o fato das lutas trans estarem saindo da invisibilidade ter permitido com que mais pessoas pudessem ser quem são de verdade e passem reivindicar as suas reais existências, não mais sob um viés normativo-cisgênero.

Não existe nenhuma evidência científica capaz de sustentar a ideia de que as identidades trans sejam uma “moda” capaz de “confundir” pessoas suscetíveis. Pesquisas que especulam uma nova forma de ‘’disforia de gênero de surgimento rápido’’ (que atingiria particularmente meninas jovens) estão profundamente comprometidas em função de falhas metodológicas e vieses ideológicos. Tomemos como exemplo o artigo de Lisa Littman, “Rapid Onset of Gender Dysphoria in Adolescents and Young Adults: a Descriptive Study”, publicado no Journal of Adolescent Health. A autora sugere a existência de um novo “tipo” de disforia de gênero, de suposto “surgimento rápido”, decorrente do que a pesquisadora supõe ser uma espécie de contágio social alimentado por um fenômeno midiático, das redes sociais e pela pressão de pares/colegas. Zinnia Jones, Ashley Florence, Alexandre Baril, Julia Serano, Brynn Tannehill, apenas para citar alguns autores que perscrutaram este tipo de alegação, encontraram falhas metodológicas gritantes que enviesam por completo a pesquisa, tais como o fato de Littman se basear somente em relatos, obtidos em fóruns online, de pais que não aceitam as identidades trans de seus filhos.

Desta forma, a entrevista reafirma velhos estigmas e contribui para perpetuar tabus contra travestis, mulheres transexuais, homens trans e demais pessoas trans. Junto a isso, responsabilizando a visibilidade que a comunidade trans tem conquistado pelo que ele chama de “banalização da transexualidade” e reafirmando o olhar médico de que pessoas trans não teriam autonomia sobre suas escolhas, suas vivências ou que nossas existências seriam, vejam só, uma fraude. Ignorando os avanços das pesquisas e discussões sobre a autonomia e os efeitos positivos de um desenvolvimento livre de estigmas e preconceitos contra a condição trans, para justificar um olhar extremamente arcaico e patologizante e que mantém o poder do saber médico, tendo controle sobre a individualidade da pessoa.

Repudiamos esta abordagem, os problemas que ela apresenta e seus efeitos negativos. E reafirmamos nosso compromisso para o enfrentamento de posições tendenciosas que ferem o direito à livre expressão da individualidade humana, a autonomia e a luta pela despatologização das vivência trans.

Brasil, 08 de abril de 2019.

Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA)
Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos (ABGLT)
Articulação Brasileira de Jovens LGBT (ARTJOVEMLGBT)
Coletivo LGBT do MST
Coletivo Transtornar (Campinas/SP)
Fórum Nacional de Travestis e Transexuais Negros e Negras  (FONATRANS)
Grupo de Advogados pela Diversidade Sexual e de Gênero (GAdvS)
Instituto Brasileiro Trans de Educação (IBTE)
Rede Nacional de Operadores de Segurança Pública LGBTI (RENOSP-LGBTI+)
União Nacional LGBT (UNALGBT)

 

 Link da Matéria: http://twixar.me/k3bK

Baixe a nota em PDF: NOTA PUBLICA Repudio Entrevista DR. Sadeeh

Transfobia sai, Tifanny fica!

Direitos e Política, Saúde
Sobre a Tiffany e os PL para proibir pessoas trans no esporte que começam a surgir depois que foi exposta a Transfobia do Bernadinho:
 
Um ponto importante para iniciar a discussão: Se ela é elegível para o COI (que pesquisou, estudou e buscou especialistas no assunto para criar um protocolo para pessoas trans), FIVB e pela CBV, ela é elegível para qualquer coisa. Poucas esportistas chegam ao nível de alto rendimento e, por isso, há dificuldade em estudar e comprovar se o corpo que foi identificado como masculino leva vantagem, mesmo após a terapia hormonal.
 
O esporte se baseia na vantagem de alguém/alguma equipe sobre o outro/a. Na ginástica olímpica, por exemplo, é desvantagem para a atleta transexual ter peso e densidade óssea diferentes. No voleibol, também não existe vantagem em ser alto, pois mulheres cisgêneras também podem chegar perto dos 2m de altura. Ela nem é a atleta mais alta da equipe (Tifanny tem 1,94m, a central Thaísa, de 1,96m).
 
Segundo Regis Rezende, professor de educação física, fisiologista, pós-graduado em voleibol e especialista do caso Tifanny, os estudos mostram que em alguns esportes a performance de atletas submetidas à terapia hormonal é inclusive abaixo de mulheres cisgêneras.
 
Aliás, mulheres cis tem a vantagem de não ter que passar inúmeras cirurgias e ingestão de medicação de uso continuado para controlar os níveis hormonais. De não ter que sobrecarregar seus figados, rins, e sistema endocrinológico com remédios. O que, em tese, é na verdade uma desvantagem para a Tifanny. Terapia hormonal para mulheres trans normalmente envolve um bloqueador de testosterona e um suplemento de estrógeno.
 
Sem falar nos efeitos disso: perda de massa muscular, perda de massa óssea, perda de velocidade, impulso, força. Foi comprovado através de testes que Tifanny perdeu potência e explosão. Quer dizer: só perdas.
 
E como isso seria uma vantagem?
 
Devemos lembrar que nem todas as trans são grandes e fortes, assim como as pessoas que se identificam com seu gênero de nascimento têm composições corporais diferentes. Nem todas são guais ou tem o mesmo potencial que a Tifanny. Ai eu admito que ela seja um fenômeno – assim como outras jogadoras pelo mundo. Mas não necessariamente pode ser Trans ou por possíveis vantagens físicas.
 
Imagine um carro a gasolina, usando álcool? Vai ter mesmo desempenho? Mesmo com as mesmas peças? Então, pensem no carro como a Tiffany, a gasolina como a testosterona, o álcool como o estrogêneo e as peças como músculos e ossos. Como seria o funcionamento deste carro/corpo?
 
Vi em uma entrevista que o Bernadinho a chamou de homem por um toque/passada que ela executou e que ele seria usado no volei masculino. E talvez aí seja o ponto!
 
Ela usa a tática/técnica que aprendeu quando jogou na liga profissional masculina, talvez este seja seu diferencial. Ela não veio de uma equipe de base (deficiente) para a superliga. Ela já era da elite do volei. E talvez essa seja sua ”vantagem”, o que em nada ter a ver com sua formação física, mas que é uma questão técnica.
 
Talvez o foco deste discussão deveria então ser a técnica usada pela Tifanny – ou falta dela pelas outras jogadoras.
 
Dito isto, me pergunto: Porque então não se muda/adapta as técnicas ensinadas as mulheres?? Especialmente nas equipes de base? Aqui não se discute vantagens físicas que possam haver. Até então, os argumentos de vantagens fisiológicas/biológicas/físicas tem sido facilmente derrubados por estudos e pesquisas e pelo próprio COI.
 
O que nos levar a crer que, na síntese, essa discussão é um caso de transfobia motivada pela falta de informação e discussões sobre o tema.
 
A sociedade, agora, está começando a nos ver dentro dos espaços comuns, e isso tem causado toda essa polêmica. Porque aqueles locais não foram os que nos designaram. As pessoas não querem discutir, pensar, estudar, analisar dados científicos. Elas querem continuar tendo o direito de nos excluir.
 
Essa conclusão deverá ser feita incluindo pessoas trans no esporte, com elas jogando, em quadra. Não fora dela! Como provar se ela teria vantagem ou não, se ela ão estiver competindo e jogando ativamente junto das demais mulheres?
 
Então, vamos combinar uma coisa: Enquanto ninguém provar que ela tem a supostas vantagens que tanto falam, ela fica. Afinal, quem acusa é responsável pelo ônus da prova.
 
Transfobia sai, Tifanny fica!
 
Escrito por Bruna Benevides
Secretária de Articulação política da ANTRA
Tifanny

Os 20 anos de abertura do serviço militar para pessoas Trans na Grã-Bretanha mostram que Trump está errado

Direitos e Política

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Nos 20 anos que as pessoas trans têm servido abertamente nas forças armadas da Grã-Bretanha, só houve pontos positivos de inclusão.

por Caroline Paige*

Hoje, 04 de Fevereiro de 2019, marca o vigésimo aniversário do dia em que a Royal Air Force permitiu uma mulher transexual a servir na força aérea. Ao refletir sobre os últimos 20 anos de inclusão positiva de pessoas transgêneras nas Forças Armadas britânicas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, continua com seu mandado de 2017 para evitar que o pessoal trans sirva abertamente nas Forças Armadas dos EUA, a qualquer custo. Em uma cruzada cercada de transfobia, especulações e campanhas de ódio contra esta população.

Juízes federais viram o preconceito de Trump e resolveram impedir suas demandas contra as pessoas trans, permitindo que aqueles que já serviam, desde que o presidente Barack Obama aprovasse o serviço transgênero aberto em 2016, continuassem seu trabalho com habilidade, honra e respeito. Mas em janeiro de 2019, a Suprema Corte dos Estados Unidos – aparentemente confusa e mal informada, cometeu um grande e embaraçoso erro ao apoiar a discriminação de Trump, por meio de sua própria interpretação contrária do que significa ser Transgenero e suas implicações para o serviço militar.

A mudança de política de Obama foi dar um passo a igualdade ao reconhecer todo o pessoal corajoso e firme que estaria atuando nas forças de defesa dos EUA. Trump e a Suprema Corte, por outro lado, na contramão da igualdade, estão fazendo suposições de que militares e mulheres podem colocar sua inata necessidade de ser quem é, e livre como algo extremamente negativo. Em uma abordagem retrograda e baseada em olhares ultrapassados e já superados por diversos estudos, pesquisas e a própria inclusão de pessoas trans nas forças armadas de outros países.

A experiência do serviço transgênero no Reino Unido, por sua vez, provou ser extremamente positiva.

Quando fiz a transição em 1999, muitas pessoas nas páginas de opinião dos tablóides e fóruns online da Grã-Bretanha exigiram minha demissão imediata, declarando que “não estava apta para o serviço”, “era uma irresponsabilidade”, “um perigo” e “um fardo” para as forças armadas. E, no entanto, os militares decidiram o contrário e uma longa história de hostilidade ao pessoal LGBT + nas forças armadas, estava finalmente chegando ao fim.

Eu já havia passado 12 anos como navegadora de defesa aérea em caças F4 Phantoms durante a Guerra Fria, e mais sete anos como navegadora e especialista em táticas em helicópteros de campo de batalha em um papel de enfrentamento a insurgência / terrorismo. Eu fui enviada para zonas de guerra várias vezes, incluindo o Golfo e a Bósnia. Mas eu ainda não havia transicionado.

Eu não me atrevi a declarar meu verdadeiro eu anteriormente, porque como todos os outros funcionários que são LGBT +, eu vivia cada dia com medo de minha própria segurança – não de ação inimiga, mas das “forças amigas” com quem trabalhei.

Esconder minha própria identidade de gênero tinha sido essencial para minha sobrevivência e saúde mental em um mundo implacável, dos meus anos mais jovens, até que eu não podia mais suportar viver como outra pessoa.

Não é fácil ficar na frente de um rolo compressor cheio de décadas de propaganda, ódio e ignorância, sabendo que não pode parar rapidamente ou mudar de direção da noite para o dia. Eu sabia que levaria anos para fazer isso. Mas esses anos se passaram agora.

Durante mais 16 anos como aviadora, que incluiu muitas missões no Iraque e no Afeganistão, meu foco claro em melhorar a capacidade tática e os sistemas de proteção das aeronaves foi resultado direto de ter permissão para viver minha própria vida, sem a preocupação ameaçadora de exposição – e subseqüente dispensa. Ser trans não era um problema e consegui provar isso com minha atuação.

Minha contribuição foi reconhecida como “serviço excepcional” – diferente da “irresponsabilidade, incapacidade ou perigo” proclamada anos antes. De fato, a maioria do pessoal de serviço logo se tornou positivamente favorável a minha presença e as vozes maldosas tornaram-se sussurros vazios e sem eco.

A Sargenta Joanne Wingate fez a transição no exército britânico em janeiro de 1999 e outros nos seguiram em todos os três serviços desde então. Seus caminhos foram simplificados pela evolução da política inclusiva, que tanto informamos e ajudamos a avançar, quanto pela atitude progressista de apoio das forças armadas, moldada pela evidência inquestionável do valor da inclusão.

A prova indiscutível das duas décadas de experiência do Reino Unido, combinada com as de 18 nações que permitem o serviço de transexuais livre de discriminação das forças armadas, é de que ser Trans não atrapalha o desempenho da função, o cumprimento da missão ou a capacidade física ou psicológica de um militar de forma alguma. Não há pontos negativos registrados, apenas ganhos.

Não se pode ignorar o bem estar de uma transição feita em ambientes acolhedores e pessoas que respeitam sua individualidade. Não podemos permitir a perpetuação de estigmas e tabus sobre as pessoas trans, especialmente nas forças armadas.

O inimigo dos Estados Unidos não está dentro de seu próprio pessoal de serviço. Eles estão na linha de frente contra o perigo, todos eles. São aptos e foram declarados capazes quando foram escalados.

E qualquer líder que negue aos patriotas o seu papel determinado e capaz de servir, puramente através do fanatismo e da intolerância, mostra-se um líder ignorante e indigno. Trump está errado, a Suprema Corte está errada e a evidência está à vista.

Quando as pessoas representam sua nação, sua nação deve ter a coragem moral de defendê-las.

Caroline Paige é autora, palestrante e primeira oficialmente transgênero a servir nas Forças Armadas da Grã-Bretanha

Postado originalmente em: https://goo.gl/qaV1d3