ANTRA, GADvS, ABGLT e ALIANÇA, pedem regulamentação da Decisão do STF no CNJ

Direitos e Política

Entidades do Movimento LGBTI protocolaram petição ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), dando sua opinião sobre a melhor forma de regulamentar a histórica decisão do STF que reconheceu o direito à mudança de nome e gênero de pessoas transgênero (travestis, mulheres transexuais e homens trans) independente de cirurgia, de laudos e de ação judicial. A petição de de amici curiae (“amigas da Corte”) foi elaborada pelo Diretor-Presidente do GADvS, Paulo Iotti, que contou com a relevante colaboração dos advogados Thiago Coacci e Bruno Ferreira, também do GADvS.

 Isso em decorrência de ter sido elaborada uma “minuta” (versão inicial, provisória) pela Corregedoria Nacional de Justiça sobre o tema, a qual as entidades entendem que tem dois problemas sérios.

Primeiro, nega cidadania a pessoas trans com dívidas e processos, quando basta simplesmente informar cadastro de proteção ao crédito e/ou Juízo competente da retificação que prejuízo nenhum a terceiros haverá. Ademais, fala em laudos, embora diga que sua falta não gera negativa da mudança – ora, então qual a necessidade disso?

Gerará mal entendidos e laudo nenhum deve se elucubrar, se a própria minuta parte do pressuposto (imposto por STF e Corte Interamericana de Direitos Humanos) de que a identidade de gênero é autopercebida (logo, declarada pela pessoa e por mais ninguém). Por fim, mencionaram tema não tratado pela minuta atual, a saber, o drama das crianças trans, que precisam também poder retificar seu registro civil, representadas ou assistidas por seus representantes legais, admitida a superação de “recusas injustas”, da mesma forma que isto se admite para o casamento civil.

 

Entendem as entidades que se o casamento civil, que é o ato mais solene (formal/burocrático) de nosso Direito, que também mexe no estado civil da pessoa, admite a superação de injusta recusa, também aqui deve ser possibilitado. Pela mesma razão (possibilidade no casamento civil, ato mais solene de nosso Direito), aplaudem e concordam com a possibilidade de mudança por procuração, já que por instrumento público (feita perante Tabelião/ã) ou instrumento particular com firma reconhecida, em ambos os casos com poder específico para a mudança, informando o novo nome e gênero pretendido. Situação que mais que garante a segurança jurídica e a autonomia da vontade necessárias para tanto (procuração é instrumento de garantia da autonomia da vontade, cabe destacar).

 

Por outro lado, defendem as Entidades que Oficiais de Registro não podem alegar “objeção de consciência” para negar a mudança (alegar convicções religiosas ou morais). O mesmo vale para os pais ou representantes legais. Um direito civil, fundamental e humano como o relativo ao pleno respeito à identidade de gênero da pessoa trans tem que ser garantido pela lógica do Estado Laico e do Pluralismo Social. Totalitarismos morais ou religiosos são obviamente inconstitucionais e inconvencionais (violam a Constituição e tratados de direitos humanos, respectivamente).

 

Integra do Amicus Curae

 

Originalmente postado em: http://www.gadvs.com.br/?p=2134

 

 

 

 

Violência Crescente Contra Pessoas Trans em 2018

Violência

Casos extremos de violência física tem chegado ao nosso conhecimento, através de nossa rede de afiliadas.  O que tem nos deixado muito preocupadas, visto que, com o aumento do conservadorismo e a onda fascista que cresce no país, as populações mais vulneráveis são aquelas que já vinham tendo suas vidas colocadas em risco.

De acordo com o levantamento da ANTRA, já são 52 assassinatos de pessoas Trans no Brasil em 2018. Até 29/03, temos um aumento 45% (16 casos) no número de assassinatos em 2018, em relação ao mesmo período do ano passado. E com o aumento da violência brutal com que os assassinatos acontecem.

 

Os dados são detalhados no Mapa dos Assassinatos de Travestis e Transexuais no Brasil em 2018, confirmando o indice de que a cada 48h uma pessoa Trans é assassinada com requintes de crueldade no Brasil. O País que mais mata travestis e transexuais do mundo.

Campanha Mapa dos Assassinatos

Campanha ASSASSINATOS

É preocupante o momento que vivemos. A maior parte das vítimas da violência possui características semelhantes. Além do gênero feminino, a idade é um fator que merece destaque. Quanto mais jovem, mais suscetível a violência e ao assassinato.

 Os assassinatos acontecem preferencialmente contra travestis e transexuais negras ou pardas, profissionais do sexo e que estão vulnerabilizadas pela falta de acesso a serviços básicos como educação, trabalho e segurança.
85% dos casos os assassinatos foram apresentados com requintes de crueldade como uso excessivo de violência, grande quantidade de disparos, esquartejamentos, afogamentos e outras formas brutais de violência. O que denota o ódio crescente e sempre presente nos casos.

Estimamos que cerca de 80% dos suspeitos não tinham relação direta com as vitimas, visto que são clientes em potencial, o que dificulta a identificação dos suspeitos.

Por não existirem dados oficiais sobre a violência contra a população trans no Brasil, o levantamento anual é feito a partir de pesquisa em matérias de jornais e informações que circulam na internet, bem como de relatos que são enviados para a organização. A coleta é diária e manual. Ao longo desse trabalho, as informações são inseridas em um mapa virtual, que detalha nome, identidade de gênero da vítima, local da morte e o que mais estiver disponível.

 

Fonte: Mapa 2018

Bruna Benevides – Secretária de Articulação Política – ANTRA

I Seminário Internacional Sobre Assassinatos da População LGBT

Direitos e Política, Eventos

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ANTRA ESTÁ PARTICIPANDO DA ORGANIZAÇÃO E CONSTRUÇÃO DO SEMINÁRIO QUE ACONTECE DE 24 A 26/06/2018.

 

A cada 25 horas uma pessoa LGBT é brutalmente assassinada no Brasil vítima de LGBTfobia, isso torna o país campeão mundial no ranking de crimes contra as minorias sexuais. Mata-se mais homossexuais aqui do que nos 13 países do Oriente e África onde há pena de morte contra LGBT.

 

No caso de Travestis e Transexuais, a cada 48h uma pessoa Trans é assassinada, com requintes de crueldade no Brasil. O que coloca o Brasil como o país que mais mata pessoas Trans do Mundo.

 

 

Assim a população LGBT nos territórios marginalizados são alvos, cotidianamente, dos fortes ataques do conservadorismo religioso e do sistema patriarcal que esta presente em nossa sociedade, sobretudo, estão a margem das políticas sociais destinadas a esse público.

 

 

Além disso para a população favelada existe mais um agravante, o narcotráfico, que se torna mais um fator limitador e de extermínio do público alvo, pois na maioria das vezes é LGBTfóbico, ou seja, ser LGBT nos espaços de favela é não usufruir dos avanços sociais e estar diariamente e intimamente exposto as violências física e psicológica.

 

 

A partir deste contexto o Grupo Conexão G realizará o I Seminário Sobre Assassinatos da População LGBT: Pensando e construindo ações e estratégias interventivas, que tem como objetivo discutir sobre crimes LGBTfóbicos e construir a implementação de processos que promovam a redução dos homicídios na população LGBT. Este evento representa a construção coletiva de um longo processo de luta por direitos básicos e é uma das mais importantes ferramentas de articulação social do Grupo Conexão G.

 

 

CRITÉRIOS PARA PARTICIPAÇÃO

 

Ser LGBT, acadêmicas/os e instituições afins

 

1. Bolsa Integral: passagem, hospedagem e alimentação

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2. Bolsa parcial: hospedagem e alimentação

 

CALENDÁRIO
 ETAPAS PERÍODO
Inscrições até 28 de abril
Analise das inscrições de 29 de abril a 11 de maio
Divulgação dos/as contemplados/as 14 de maio, a partir das 16h – (horário de Brasília)
Contato com as/os selecionadas/os de 15 a 21 de maio

 

Realização:

Grupo Conexão G

Apoio:

ANTRA – ABGLT – REDTRANS – GTN – GDN- ABL – DELLAS – GAI – RENOSP_LGBT – Mandato do Dep. Jean Wyllys – Grupo de Mulheres Felipa de Sousa – ONU – FioCruz

 

Para inscrições clique aqui: Inscrições

ACONTECE NESSE DOMINGO A 5ª PARADA LIVRE DE GUAÍBA

Cultura, Direitos e Política

Com o tema Identidade de Gênero Sim! Meu corpo minha Liberdade, acontece nesse domingo 25 de março de 2018 das 14:00 as 22:00 horas em frente à estação hidroviária no centro da cidade a 5ª parada livre de Guaíba.

Nessa quinta edição a parada faz alusão a identidade de gênero como tema central para chamar atenção da sociedade guaibense e do Rio Grande do Sul ao respeito para com as pessoas travestis e transexuais.

PARADA GUAIBA 2018

”Nossas lutas são por uma sociedade melhor e inclusiva. Temos direito a falar de nossas identidades de gênero temos direito a uma educação sem preconceito, ao respeito aos nossos corpos porquê exercemos nossos direitos com respeito.”

Identidade de gênero sim!

A Parada é um momento de reivindicação e diversão, pois pode-se reivindicar de forma alegre celebrando o respeito que devemos ter por todos. A organização da parada espera que os munícipes possam compreender que a população Trans também é parte dessa cidade.

A Igualdade Guaíba instituição que realiza a parada vem desenvolvendo ao longo dos anos diversos trabalhos nessa comunidade, e espera contar com a participação de todos, pois a parada é uma celebração ao respeito e amor ao próximo. E não conta com nenhum apoio na esfera institucional. 

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As atrações:

Convidada especial: DJ Leticia Satoretto

Apresentadores: Carol Rogê, Valma Classic, Xande Matos, Viviane Bolss Magonólia Summer, Douglas Rogê

Maiores Informações: https://www.facebook.com/profile.php?id=100015280245925

 

 

 

ANTRA LANÇA CAMPANHA PELO DIA INTERNACIONAL DE TODAS AS MULHERES

Direitos e Política

 

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

“No mundo de uma travesti onde o amanhã é incerto, tornar-se mulher é sinônimo de LUTA e é por isso que temos ORGULHO de ser!”

Nesse sentido a ANTRA lança a campanha com a história de 10 Travestis e mulheres Transexuais que enviaram suas fotos para as nossas páginas, e dentre outras histórias de superação que chegaram, elas foram selecionadas pelas inspirações de forças, de vida e luta pela afirmação de suas identidades nos mais diversos espaços, e por isso farão parte da nossa campanha pelo dia Internacional da mulher intitulada: MEU CORPO É A MINHA IDENTIDADE – Respeite minha História.

Eloá Rodrigues

São atrizes desconhecidas da maioria de nós, pessoas anônimas para muitos, visíveis para elas mesmas e para os seus, lá nos escondidinhos de onde vieram. Por isso a ANTRA reconhece e louva essas personalidades, e da vez e imagem a quem sempre esteve oculta nos bastidores, a quem se acostumou a carregar o piano quase sempre sozinha, a quem sempre fez o seu ativismo de forma isolada carregando consigo toda sorta de exclusão e preconceitos, e na maioria das vezes expondo a sua própria bandeira. O seu corpo marginalizado, a sua existência “imoral”.

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Por tudo isso parabenizamos e agradecemos a Jaqueline Denardin, Luíza Bittencourt, Eloá Rodrigues, Arielly Viana, Zara Santana, Thifany Isabella, Marcia Monks, Josyane Pinto, Camila Oliveira e Dafne Korea pelas participações e por contribuírem com a campanha na luta contra a Transfobia e pelo resgate da cidadania da população Trans. Sejam bem-vindas! As histórias de superação estão contadas nas nossas redes sociais.

Josiane Pinto

 

A meta da ANTRA é não deixar ninguém para trás nas batalhas que travamos agora. E que nós que temos os holofotes em cima da gente possamos retornar e buscar aquelas que ficaram lá atrás, aquelas que ainda não conseguiram alcançar a gotinha de cidadania garantida, aquelas que esperam uma mão que se estenda e diga venha caminhar conosco você também faz parte desse mundo. Você não está sozinha.

Obrigada a todas que participaram. Temos muito orgulho de ser a maior rede organizada de Travestis e Transexuais do Brasil, e esta é uma ação em prol da visibilidade de Travestis e mulheres Transexuais de forma plural e coletiva.

Dafne Kora

Grande vitória! Mais uma Travesti assume o Legislativo.

Direitos e Política

A Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) fez um estudo em 2016 e das 96 candidaturas que conseguimos mapear de Travestis, mulheres Transexuais e homens Trans 9 pessoas foram eleitas dentre outras que tiveram margens expressivas de votos algumas ficando em suplências importantes. Indianara Siqueira Luiza Copiteres e Linda Brasil deram exemplos de candidaturas que sem muito apoio financeiros tiveram expressivas votações nesse pleito.

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Hoje uma dessas candidatas suplentes assume o cargo de vereadora na cidade de Rio Grande no Rio Grande do Sul. Maria Regina (Regininha) disputou o pleito de 2016 pelo PT.  Ela assumirá a vaga deixada pelo vereador Luiz Francisco Spotorno que pediu licença e faz parte da mesma legenda que Maria Regina. Se tornando a primeira Travesti a assumir a vereança no Rio Grande.

Maria Regina é uma liderança do movimento social organizado naquele município, atua na ONG Associação de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais de Rio Grande – ALGBT – RG e sempre atuou naquela cidade e região realizando ações para os munícipes daquela cidade sendo LGBT ou não.

A conquista de Regina poderá despertar o desejo de outras Travestis, mulheres Transexuais e homens Trans a disputar a política partidária, pois essas pessoas têm muito a contribuir com o Brasil que elas desejam e sonham e se são cidadãs e cidadãos brasileiros tem todo o direito.

Desejamos sucesso e que o mandato seja pautado nas lutas pelos direitos das populações mais vulnerabilizadas e comprometido com os direitos humanos.

Detalhes dessa notícia você poderá consultar em:

https://goo.gl/sA3m1x