2019: Brasil segue na liderança dos Assassinatos contra pessoas trans no mundo.

Direitos e Política, Violência

Brasil segue na liderança dos Assassinatos de pessoas trans pelo mundo.

Por ocasião do dia internacional da memória trans, no dia 20 de novembro de 2019 , equipe do TvT –  Transrespect versus Transphobia Worldwide publicou os resultados do Observatório de pessoas trans assassinadas.

Atualização de 2019 revelou o total de 331 casos entre 1 de outubro de 2018 e 30 de setembro de 2019.

Onde o Brasil segue como o país que mais assassinou pessoas trans do mundo neste período, com 132 mortes seguido do México (65), e Estados Unidos (31), somando um total de 3314 homicidios reportados de personas trans em 74 países en todo mundo, entre 1 de janeiro de setembro de 2019.

O estigma e a discriminação contra pessoas trans são reais e profundos em todo o mundo e fazem parte de um círculo estrutural e contínuo de opressão que nos mantém afastados de nossos direitos básicos.  Pessoas trans em todas as partes do mundo são vítimas de uma terrível violência de ódio, incluindo humilhações, agressão física e sexual e assassinato. Na maioria dos países, os dados sobre a violência contra pessoas trans não são produzidos sistematicamente pelos estados e é impossível estimar o número exato de casos.

No Brasil, desde 2017 a ANTRA é referência no monitoramento destes dados e mantém uma atualização constante sobre a Violencia e Assassinatos contra pessoas trans brasileiras. Publicando informes anuais com análises aprofundadas sobre esta preocupante situação.

Desde 1999, o Día da Memoria Trans (TDoR) é lembrado no mês de novembro.  É o dia de lembrar a memória daquelas pessoas que foram assassinadas.

Bruna Benevides
Secretária de articulação política da ANTRA

#ANTRA

  Maiores informações:
https://tgeu.org/tmm-update-trans-day-of-remembrance-2019/330/

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A LGBTIfobia saiu do armário e diariamente assina nosso atestado de óbito.

Direitos e Política, Violência
A violência LGBTIfóbica no Brasil em uma semana (27/05 a 03/06/2019):
 
– 5 Travestis Assassinadas (tiros, pauladas, espancamento, corpo incendiado)
 
– Lésbica encontrada morta com sinais de espancamento e violência sexual
 
– Homem gay encontrado morto em matagal com sinais de espancamento
 
– Homem trans vitima de estupro corretivo
 
– Mulher trans internada compulsoriamente pela família
 
– Homem trans se suicida (assassinato social).
 
– Diversos ataques homofóbicos
 
– Psicólogos a favor da ”Cura-gay” lançam candidatura no CFP
 
Estes são apenas os casos que chegam através das redes sociais. Estimamos que sejam muito mais diante pelo agravamento da violência cotidiana que identificamos nos relatos e casos que conseguem ser trazidos ao público, e pela inexistência de dados e estatísticas oficiais.
 
O serviço Disque 100, do governo federal, registrou 4,6 denúncias por dia contra a comunidade LGBT durante o ano de 2018.
 
Há dificuldade de levantar dados de violência LGBTIfobica nos atendimentos de saúde, assim como nas delegacias e IML que muitas vezes não identificam a orientação sexual ou identidade de gênero das vitimas – apesar de haver campo para tal, assim como não constam os motivos presumidos, visto que não há um qualificador ou a tipificação de crimes específicos contra a nossa população. E os dados acabam se perdendo na invisibilidade quase intencional das instituições.
 
Quando falamos em suicídio, há um total silenciamento ou apagamento dos casos e suas motivações, e em muitos casos familiares tentam impedir a veiculação do suicido.
 
Criminalizar uma violência específica é tirar da invisibilidade, reconhecer a existência e discutir formar de enfrentar esta feriada aberta que aumenta a cada ano. A partir da criminalização podemos pensar em levantamento de dados, campanhas focais, mapeamento dos índices e marcadores da violência e combater a impunidade. Além de pensar ações educativas e preventivas para as questões de LGBTIfobia familiar, institucional e social.
 
Vivemos uma luta constante contra a violência LGBTIfóbica, onde matar é o ápice da desigualdade (Butler) e neste momento em que estamos o brasileiro, incentivado por seus líderes, abandonou ‘máscara’ de cordial e assumiu sua intolerância.
 
A LGBTIfobia saiu do armário e diariamente assina nosso atestado de óbito.
 
Bruna Benevides
Secretária de Articulação Politica da ANTRA
#ÉcrimeSim
#criminalizastf (1)

ANTRA move ação contra Deputado por ameaças Transfóbicas.

Direitos e Política, Violência

A Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), cumprindo seu dever estatutário de defesa dos direitos da população de Travestis e transexuais brasileira, move ação contra o Deputado Estadual Douglas Garcia (PSL/SP), devido suas declarações transfóbicas, incitação a violência contra a população Trans e por ferir o direito a individualidade da nossa população ao dizer que tiraria a tapas, qualquer travesti ou transexual de dentro do banheiro.

A tentativa proibição de utilização de banheiro feminino por uma travesti ou transexual feminina configura violação à proteção da dignidade humana e ao direito de liberdade sexual e de gênero, prejuízos que se materializam contra indivíduos e grupos percebidos e subjugados como minorias altamente estigmatizadas em nossa sociedade.

Neste campo, pode-­se relacionar o direito à utilização de banheiros com o conteúdo essencial do direito de igualdade, com a proibição de discriminação direta e indireta por motivo de identidade de gênero, sem esquecer da intersecção entre tal critério proibido de discriminação e a idade, dada a intensidade dos prejuízos para crianças e adolescentes transexuais.

Há quem diga que a utilização de banheiros por pessoas trans femininas coloque em risco a segurança das demais usuárias. Esse medo, à primeira vista concedível, não encontra substrato na realidade, nem é capaz de justificar tratamento restritivo. Isso porque não há qualquer dado concreto que ampare o temor de que pessoas trans sejam ameaças ou cometam violência contra usuárias de banheiros femininos, o que faz juridicamente ilegítima tal restrição, pois encontram-se fundadas em meras suposições preconceituosas, desprovidas de qualquer suporte fático concreto.

Ao contrário, o que se relata são episódios de violência moral e física contra travestis e transexuais femininas quando são obrigadas a usar o banheiro masculino.

Especialmente quando um deputado ousar ameaçar toda uma população na plenária de uma casa legislativa, isso é um dano irreparável, visto que incita a violência e o ódio contra a população trans, quem vem sendo cotidianamente violentada e tenta sobreviver no país que mais mata pessoas trans do mundo. E é exatamente por isso que não iremos admitir este tipo de discurso. Repudiamos este ódio disfarçado de boa vontade e cuidado, e rechaçamos que este discurso esteja legitimado por um representante do estado, que se esconde sob o manto de imunidade parlamentar para destilar ódio, mesmo tendo sido eleito para lutar para defender e representar o povo.

Essa é uma discriminação é direta porque é decorrente da intenção explícita de barrar a população trans em instalações abertas ao público que possibilitam o exercício adequado do direito fundamental à saúde. Nesse caso, é precisamente a condição transexual que motiva a restrição, de forma consciente e proposital, o que é fácil de constatar e contrastar com o direito de igualdade e seu mandamento antidiscriminatório.

Quanto à privacidade como fundamento para proibição de utilização, pondera-se sobre a parcialidade e insuficiência do argumento, na medida em que transexuais obrigadas a utilizar um banheiro que não corresponde à sua identidade de gênero também tem sua privacidade violada.

A travestilidade e a transexualidade, não importam se abordadas biomédica ou socialmente, são indissociáveis do modo de ser e de estar no mundo das pessoas transexuais. Ela não é atributo ou característica secundária ou acessória, possível de desagregar da existência humana de tais pessoas. Desse modo, desconsiderar ou excluir pessoas de qualquer espaço, em virtude de tal condição identitária significa ferir o âmago da proteção constitucional da dignidade humana.

É o que acontece quando se postula simplesmente ignorar a transexualidade num espaço de vida e convívio tão significativo e vital como o acesso a banheiros abertos ao público ou mesmo no esporte ignorando sua condição de identidade de gênero, feminina.

Em suma, no tocante à proteção constitucional da dignidade humana e ao direito fundamental à auto-­determinação sexual, não reconhecer o direito fundamental à utilização de banheiro feminino por uma travesti ou transexual feminina implica rejeitar a possibilidade de ser e de existir como se é, afetando algo essencial para o modo único, irrepetível e original da pessoa; inviabilizam-­se também as condições sem as quais a auto-­determinação e a liberdade sexuais e de gênero, simplesmente deixam de ser possíveis.

”Não é possível que uma pessoa seja tratada socialmente como se pertencesse a sexo diverso do qual se identifica e se apresenta publicamente, pois a identidade sexual e de gênero encontra proteção aos direitos da personalidade e na dignidade da pessoa humana, previstos na Constituição Federal. O deputado em questão feriu toda a coletividade de travestis e mulheres transexuais e proferiu verdadeiro discurso de ódio. A ANTRA requer na ação uma retratação formal em jornal de grande circulação, suas redes sociais institucionais e o pagamento de indenização por danos morais coletivos a ser utilizado para promoção de politicas publicas de combate a transfobia no estado de São Paulo.” (Dra Maria Eduarda Aguiar – Advogada ANTRA)

É Triste ter que mover uma ação contra um Deputado eleito para defender o povo, mas não podemos ficar caladas quando este promove ódio, incita a violência e perpetua transfobia institucional através do seu discurso violento, dentro da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP) e tendo repercutido nacionalmente de forma negativa e incentivando mais violência contra nossa população. O que demonstra que o estado está tomado por atitudes como esta, que legitimam a violência contra uma população inteira, que é marginalizada e perseguida pelo próprio estado na forma de seus representantes.

Ação ANTRA

**Texto Contém trechos do Artigo: Direitos humanos, transexualidade e “direito dos banheiros” – Roger Raupp Rios e Alice Hertzog

99% da população LGBTI não se sente segura no Brasil

Direitos e Política, Violência

Pesquisa inédita da ANTRA lançada por ocasião do Dia 17 de Maio – Dia Internacional de Combate á LGBTIfobia aponta que 99% da população de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e intersexos (LGBTI), não se sente segura no Brasil.

Realizamos no período de 13 a 17/05/2019 uma pesquisa em suas redes sociais e parceiras, onde perguntamos se as pessoas LGBTI se sentiam seguras no Brasil. Os dados serão utilizados para fomentar a discussão e a ampliação de uma pesquisa mais aprofundada sobre o tema.

Os resultados são assustadores e baseamos na interação espontânea com as publicações, onde as pessoas respondiam SIM ou NÃO. Escolhemos como local para essa pesquisa, as redes sociais Facebook e o Instagram, pois através delas é possível nos informar e nos expressar.

– 99% das respostas disseram que não se sentiam seguras.

– Tivemos alcance de cerca de 10mil engajamentos no post Facebook

– Dentre as 1350 pessoas que interagiram em nossas redes, apenas 4 pessoas responderam que se sentiam seguras

Respostas sim:
– 2 homens gays cisgeneros, brancos e de classe media com performance heterossexual;
– 1 homem gay cisgenero, negro, heteronormativo, com doutorado, e que inclusive fez questão de reconhecer seus privilégios que o distanciam da LGBTIfobia; e
– 1 travesti, branca, com passabilidade cisgenera e de classe alta.

– Do total, 40% eram do gênero feminino.

*Do total de gênero feminino, 30% eram pessoas trans

**Não foi possível aprofundar questões como classe e raça/etinia.

Hoje no país, existe de forma acentuada uma naturalização da violência, do discurso de ódio e a incitação contra pessoas LGBTIs e devemos lembrar que os números oficiais da amplitude dessa violência não reflete ainda a totalidade do problema, que vem tornando o Brasil, uma nação hostil a nossa população.

Seguramente este levantamento reflete a forma como a população LGBTI se sente no Brasil e dialoga diretamente com outros dados, índices e pesquisas feitas com esse contexto que traz a violencia com o maior desafio a ser enfrentado, e que o estado brasileiro tem se omitido de legislar sobre a LGBTIfobia estrutural.

Seus resultados podem ser reproduzidos total ou parcialmente, desde que referenciada a fonte.

*17 de maio, Dia mundial de combate a LGBTIfobia*

_#ÉCRIMESIM_

99% DOS LGBTI NÃO SE SENTEM SEGUROS NO BRASIL (1)

ANTRA Lança Dossiê da Violência contra a População Trans em Parceria com o IBTE

Violência

Lançado o Dossiê dos Assassinatos e da Violência contra Travestis e Transexuais no Brasil em 2018.

ANTRA e IBTE fecharam parceria no monitoramento dos dados dos Assassinatos e Violência contra Travestis, Mulheres Transexuais, Homens Trans e demais pessoas trans no Brasil em 2018.

Simbolicamente, optamos pelo lançamento deste Dossiê no Dia Nacional da Visibilidade Trans, comemorado no Brasil no dia 29 de janeiro desde o ano de 2004.

Geralmente, neste dia todos os olhares se voltam para a causa Trans, percebe-se nas redes sociais mensagens de afetos e relatos potentes o dia todo, de quem vive um dia após o outro, sem a certeza do que virá a seguir. Nesta data comemoramos as lutas e histórias de resistência da população de Travestis, Mulheres Transexuais, Homens Trans e demais pessoas Trans que tem urgência de visibilidade, representatividade e ocupação de espaços que sempre foram negados historicamente a nossa população.

Infelizmente, o Brasil segue na liderança no ranking dos assassinatos de pessoas Trans no Mundo, conforme publicado no último relatório da Trangender Europe (TGEU).

O presente relatório, evidencia os assassinatos que aconteceram contra a população Trans em 2018, mas também trará dados sobre tentativas de assassinatos, violações de direitos humanos e outras mortes não solucionadas. Além de uma análise sobre suicídio e um artigo tratando sobre a LGBTIfobia estrutural que vivemos no Brasil. E que tem se intensificado, ao passo em que as forças conservadoras e anti-direitos LGBTI assumem o poder e passam a implementar medidas que visam dificultar o acesso a direitos e a cidadania plena.

Durante a análise, nos perguntávamos sobre uma aparante queda nos números sobre casos de assassinatos, e chegamos a conclusão de que seria outro motivo: Houve um aumento de 30% na subnotificação dos casos pela mídia. O que compromete os resultados e faz parecer que houve uma queda nos assassinatos, quando na verdade houve um aumento na invisibilidade destas mortes.

No ano de 2018, ocorreram 163 Assassinatos de pessoas Trans, sendo 158 Travestis e Mulheres Transexuais, 4 Homens Trans e 1 pessoa Não-Binária. Destes, encontramos notícias de que apenas 15 casos tiveram os suspeitos presos, o que representa 9% dos casos.

Em Números absolutos: o Rio de Janeiro foi o que mais matou a população trans em 2018, com 16 assassinatos. Em segundo a Bahia, com 15 casos, terceiro ficando São Paulo com 14 casos, em quarto lugar o Ceará, com 13 assassinatos e ocupando a quinta posição, o Pará com 10.

Dos quais, 82% dos casos foram identificadas como pessoas negras e pardas. As questões de gênero se reforçam e demonstram que 97,5% (aumento de 3% em relação a 2017) dos assassinatos foram contra pessoas trans do gênero feminino (158 casos). 53% foram cometidos por armas de fogo, 21% por arma branca e 19% por espancamento, asfixia e/ou estrangulamento. 83% dos casos os assassinatos foram apresentados com requintes de crueldade. E que 80% dos assassinos não tinham relação direta com a vítima

No ano de 2018 foram registrados pela imprensa brasileira 71 tentativas de homicídio, um aumento de 9,8%, sendo que todas as vítimas são do gênero feminino.

Houve ainda 72 casos de violações de direitos humanos – Os casos registrados em sua maioria têm ligação com transfobia, sendo 77% dos casos, que vai desde a proibição de usar o banheiro de acordo com sua identidade de gênero até a negativa de usar o nome social nos documentos escolares.

O Transfeminicídio vem se reproduzindo entre todas as faixas etárias. Uma pessoa Trans apresenta mais chances de ser assassinada do que uma pessoas cisgnênera. Porém estas mortes acontecem com maior intensidade entre travestis e mulheres transexuais, negras. Assim como são as negras as que tem a menor escolaridade, menor acesso ao mercado formal de trabalho e a políticas públicas.

Leia o relatório completo em:
http://www.antrabrasil.ogr/mapadosassassinatos

 

dossie 2018 (2)

10 Piores estados para ser Trans no Brasil

Violência

Fizemos o levantamento e cruzamento de dados para estimar as taxas de assassinatos das pessoas trans no Brasil, em relação do ano de 2017 e nos deparamos com índices alarmantes. A expectativa de vida das pessoas trans gira em torno de 35 anos e convivemos diariamente com o risco de morte no transito na sociedade.

O Brasil não é o país que mais mata pessoas Trans do mundo?

Em 2017, a ANTRA iniciou um trabalho de mapeamento destes assassinatos e o transformou em um relatório contendo as informações sobre o perfil das vitimas, genero, raça e classe social em que se encontravam a maior parte das pessoas que foram assassinadas. Revelando ainda um estado omisso, criminosos soltos ou não identificados e a prova do porque estamos no topo da lista dos assassinatos contra a população de Travestis e Transexuais. Em 2018, fechamos parceria com o Instituto Trans de educação (IBTE) a fim de agregar ainda mais a visibilidade dos dados e fortalecer este importante trabalho.

Em recente matéria, o site Huff Post lançou um levantamento sobre Os 10 piores estados do Brasil para ser negro, gay ou mulher no Brasil. E resolvemos fazer o mesmo relação a população trans, visto que os dados referentes a nossa população ainda não tem sido visibilizados pelos órgãos que fazem este tipo de mapeamento.

DADOS

Em relação aos dados proporcionais a população, os 10 estados que mais assassinam Travestis e Transexuais do Brasil são: Paraíba, Alagoas, Roraima, Tocantis, Ceará, Espírito Santo, Mato Grosso, Pernambuco, Acre e Amazonas – com taxas de acordo com o quadro abaixo:

Taxa de Assassinatos 2017

Foram utilizados os dados levantados no Mapa dos Assassinatos de pessoas Trans no Brasil em 2017 da ANTRA e do Dossiê 2017 feito pelo IBTE. A novidade constante nos dados deste relatório é que fizemos um recorte sobre assassinatos, qualificados ou não no código penal. Mortes provocadas, intencionais e que contem requintes de crueldade. O que denota o ódio contra a nossa população. Aos nossos corpos e o desejo que eles despertam.

A negligência do Estado é tamanha que não há dados oficiais sobre os assassinatos em comento. A ANTRA e o IBTE decidiram publicizar esse descaso e escancarar esta ferida que segue aberta, que persegue e mata pessoas como eu, por ser quem somos, materializando esses dados por meio do presente relatório.

O levantamento é feito a partir de pesquisa dos dados em matérias de jornais e mídias vinculadas na internet. De forma manual, individual e diária. Há ainda grupos específicos que publicam informações sobre pessoas assassinadas e/ou são enviadas informações através da rede de afiliadas da ANTRA, IBTE e Rede Nacional de Operadores de Segurança Pública – LGBTI (RENOSP), pelos mais diversos meios e canais de comunicação (Email, Facebook, Whatsapp, etc).

Os dados não seguem um padrão, há muitos casos em que não existe respeito a identidade de gênero das vítimas ou mesmo o nome social.

DENUNCIAS

Diante do panorama e do aumento assustador destas violências, temos feito diversas ações com o intuito de visibilizar e denunciar através dos dados coletados e denuncias feitas a órgãos internacionais.

Em janeiro de 2018, no Dia da Visibilidade Trans, o Relatório MAPA DOS ASSASSINATOS 2017 – ANTRA foi entregue ao Representante do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA-ONU/BR 2018), Sr Jaime Nadal, na Casa da ONU em Brasília_DF.

E em Maio de 2018, durante o 168º Período de Sessões da Corte Interamericana dos Direitos Humanos, em Santo Domingo, Republica Dominicana, nas mãos da Sra Margarette May Macaulay. A fim de denunciar os assassinatos e a crescente onda de violência contra a população de Travestis e Transexuais, inclusive contra militantes e defensoras dos Direitos Humanos que foram brutalmente assassinadas em 2017.

ENTREGA DO RELATÓRIO DA ANTRA À CIDH

Recentemente, foi entregue ainda uma cópia nas mãos do Ministro Luiz Roberto Barroso, no Supremo Tribunal Federal, a fim de trazer para o debate, estas violências e violações dos direitos da população trans e o Transfeminicídio Estrutrual no Brasil.

A ANTRA e o IBTE compõe hoje o Observatório da Violência contra pessoas Trans e não binárias da América Latina e Caribe.

 

 

 

 

Fundado Observatório da Violência Contra pessoas Trans na America Latina e Caribe

Direitos e Política, Violência

Com o intuito de aumentar a rede combate a violência, mapeamento dos dados e visibilidade das violações dos direitos humanos e assassinatos de Travestis, Mulheres Transexuais, Homens Trans e demais pessoas Trans, acaba de ser fundado o Observatório da violência da América Latina e do Caribe.

Observatório tem como objetivo principal a unificação do bloco de países que compõe a América Latina e o Caribe, para o levantamento e produção de dados, pesquisas e denuncias que visam jogar luz sobre a omissão dos países em relação as violências que a população Trans está exposta.

Além de denuncias, pretendemos discutir formas de identificar e qualificar os assassinatos motivados pela transfobia e outras formas de discriminação contra travestis e transexuais como TRAVESTICÍDIO ou TRANSFEMINICÍDIO a fim de reconhecer a violência específica a que está exposta a nossa população.

Primeira Condenação por Travesticídio na Argentina

Além disso, sistematizar violências simbólicas, assassinatos sociais e outras formas de violência em cada país, que contará com representação local, ficando responsável pela verificação dos dados informados.

Participaram como membro fundadoras a Prof Sayonara Nogueira do Instituto Brasileiro Trans de Educação (IBTE) e Bruna Benevides da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) – que estarão participando efetivamente desde sua Fundação e como instituições que representam o Brasil no observatório neste primeiro momento, por sua parceria é importante contribuição no mapeamento da violência contra pessoas trans no Brasil. Além do Coletivo Trans do Uruguay representando por Collete Spinete e Claudia Vasquez pela OTRANS – Colectivo trans y travesti de Argentina.

Em breve será lançado site oficial, além de campanhas de filiação e plataforma de denuncias.

Observatório LAC

Já são 86 pessoas Trans assassinadas apenas no Primeiro Semestre de 2018

Violência

Dados do primeiro semestre de 2018 revelam dados alarmantes dos assassinatos de Travestis, Mulheres Transexuais e Homens Trans.

Somente no primeiro semestre de 2018, foram assassinadas  86 travestis e transexuais, sendo estas, a maioria do gênero feminino, negras e prostitutas atuando na rua. Ficando claro que o assassinato de nossa população tem um alvo preferencial, mas que não exime as demais existências trans da violência cotidiana e as vezes velada, de forma simbólica, religiosa ou psicológica.

1o Semestre 2018

Assassinatos na calada da noite, tiros, apedrejamento e facadas, normalmente precedidos de espancamentos, métodos de tortura e pouca possibilidade de legítima defesa são alguns dos aspectos que norteiam os crimes contra travestis e transexuais.

Houveram ainda 29 tentativas de assassinato, 07 casos de suicídio noticiados pela mídia, 19 mortes por transfobia socio-cultural e 33 casos de violações dos direitos humanos.

Este levantamento se baseia, principalmente, em reportagens que abordaram os assassinatos de pessoas travestis e transexuais e, também, por meio de informações que, por vezes, existem exclusivamente em redes sociais, como o Facebook ou através de envio pelas redes afiliadas.

Em 2018, firmamos o compromisso de nos aproximar e firmar parcerias importantes para este mapeamento. Desta forma, o IBTE e a ANTRA vem trabalhando incansavelmente para visibilizar estes dados e atuar de forma eficaz na veracidade das informações e trazendo a discussão para fora do movimento social.

ANTRA ENTREGA RELATÓRIO 2017 A CIDH

Viver no Brasil, o país que mais mata Travestis país que mais mata Travestis e Transexuais do Mundo, de acordo com a ONG Transgender Europe (TGEU) é um desafio e tanto. Especialmente para uma população que oficialmente não tem reconhecida sua cidadania. Que não existe em dados reais, populacionais, demográficos ou qualquer outro que possa demonstrar em números suas existências ou o quanto estão excluídas, e como são empurradas para a marginalização. Hoje no Brasil, é mais fácil contar as pessoas trans assassinadas, do que fazer um levantamento populacional desta população.

No último ano, chegamos ao maior índice de assassinatos de pessoas trans dos últimos 10 anos. E mesmo assim, ainda é preciso “convencer” as pessoas que elas foram assassinadas pelo ódio. Não temos uma lei que criminalize a discriminação por orientação sexual ou identidade de gênero no Brasil, consequentemente, que criminalize ou qualifique esses assassinatos pela sua real motivação, a Transfobia.

A negação de tal motivação, é exatamente o que nos faz pensar o quanto a transfobia está naturalizada e é permitida em nossa sociedade. Negar a motivação transfóbica destes assassinatos é, antes de mais nada, jogar a culpa (por terem sido mortas) nas vítimas, ao tentar justificar que foram assassinadas – de forma quase sempre extrema – por estarem em ambientes violentos, em sua maioria na prostituição de rua ou sugerir que estavam envolvidas com atos ilícitos. É esquecer que foram o estado e a sociedade, com todos os seus mecanismos simbólicos de exclusão que as colocou ali, naquele lugar. O não-lugar, como gostamos de nos referir no movimento social.

E tendo sido colocadas ali pela violência transfóbica, as vezes simbólica, outras psicológicas ou mesmo físicas, elas têm que se apoderar do seu corpo para garantir a subsistência de suas vidas, exatamente naqueles mesmos locais, perigosos e marginais.

Ora, se elas são empurradas a estar neste local, muitas vezes de forma precoce  por suas famílias, sem possibilidade de frequentar a sala de aula, e de lá dificilmente conseguem sair, e de lá tiram seu sustento. Como podem ao ser mortas, ter ignoradas exatamente o motivo que as colocou ali?

Mapa 1o Semestre 2018

Parem de nos matar!

Fontes:

ANTRABRASIL.ORG

OBSERVATORIOTRANS.ORG

Dandara e a Transfobia Omitida pelo Estado

Violência

Governo do Estado do Ceará NÃO CONSIDERA A MORTE DE DANDARA (e tantas outras) COMO TRANSFOBIA. Mesmo diante da crueldade com que o assassinato aconteceu, foi filmado e vinculado nas redes sociais.

No Ceará, o Estado mais matou Travestis e Transexuais do Brasil em 2017 (único estado que aparece nas listas de dados absolutos e em dados proporcionais – ANTRA e IBTE), que Matou Dandara e Herika de formas brutais.

Nem mesmo o caso Dandara foi visto (institucionalmente) como Transfobia. Apesar de a Transfobia ter sido reconhecida como qualificadora pelo Tribunal do Júri. Mais de um ano depois, e ainda não existe essa possibilidade de constar a Transfobia como motivo.

Dandara Campanha

Não existe a possibilidade de enquadramento como Transfobia como motivo presumido nos Registros de Ocorrência e nem reconhece esses assassinatos como feminicídio – com certeza em outros estados essa prática é recorrente.

Este ano já foram 5 assassinatos no Ceará (até abril/2018) e nenhum enquadrado como Transfobia ou Feminicidio.

Este é o reflexo do Brasil, que invisibiliza e nega nossas identidades até na hora de nossas mortes. Que nos trata no masculino depois de mortas, inclusive durante todo julgamento. Que solta assassinos confessos (Teresina-PI.2017). Que tem nos caçado desde a ditadura.

Que vem se omitindo de olhar para essa violência contra a nossa população e nega a possibilidade qualificar esses crimes que são específicos com nuances e motivações específicas, para continuar calado frente ao apagamento de nossas vidas que vem sendo perpetuada pelo próprio estado.

Repudiamos essa ação que corrobora com os assassinatos e gera a impunidade dos assassinos de outros casos, em sua maioria soltos e sem nenhuma investigação em curso.

Não iremos aceitar caladas! TRANSFOBIA É CRIME!

Parem de nos matar!

Rio de Janeiro, 02 de maio de 2018.

Bruna Benevides
Secretária de Articulação Política ANTRA

#Paremdenosmatar #MeuNomeImporta #ANTRA #IBTE #CriminalizeLGBTIfobia

Parceria no Mapeamento da Violência Contra a população Trans

Direitos e Política, Violência

Diante do Aumento da Violência contra a nossa população, a ANTRA e o IBTE fecham parceria importante no mapeamento dos assassinatos e violação dos direitos das pessoas trans.

Jan- Abr 2018

A Prof. Sayonara Nogueira, que faz o levantamento há 4 anos e hoje é responsável pelo mapeamento dos assassinatos, tentativas e violações dos Direiros Humanos de Travestis, Mulheres Transexuais e Homens Trans junto ao IBTE, aceitou o Convite da Presidenta da ANTRA, Sra Keila Simpson, para firmarmos uma parceria importante a fim de que os dados se tornem ainda mais visíveis e que a partir da união das duas principais redes que fazem este levantamento da população Trans, possamos traçar medidas eficazes de enfrentamento a essa violência.

Bruna Benevides, Secretária de Articulação Politica e autora do Mapa e relatório dos Assassinatos de Travestis e Transexuais Brasileiras da ANTRA em 2017 esteve reunida com a Prof Sayonara, em Brasília_DF, a fim de dialogarem sobre a importância desta parceria, discutir as metodologias e estratégias, além de trocarem suas experiências e criarem um plano de trabalho. Contaram ainda com a Presença da Secretária Nacional de Políticas LGBTI do Ministério dos Direitos Humanos, Senhora Marina Reidel.

Bruna e SayonaraBruna, Marina e Sayonara

Ambas estarão participando no I Seminário Internacional de Assassinatos da População LGBTI, apresentando os crescentes dados. Onde poderão discutir com outros segmentos e dialogar com representantes de outros países e do poder públicos sobre o combate efetivo destes assassinatos e a denuncia do Brasil frente as cortes internacionais.

Em Janeiro de 2018, a ANTRA fez a entrega do relatório final dos Assassinatos de Travestis e Transexuais Brasileiras da ANTRA em 2017 a ONU, na presença de diversas Instituições e representantes da sociedades civil e do poder público.

Bruna Benevides ONU

Entrega do Relatório ao Sr Jaime Nadal – ONU Brasil